Resumo do texto “Elementos para uma
pneumatologia brasileira”.
O quinto império
A
partir de Moltmann, o professor Jorge pinheiro dos santos analisa a
espiritualidade brasileira em sua multiculturalidade. Buscando a origem dessa
cultura colorida, descobrisse sua gênese ainda em Portugal por volta de 1323,
pela rainha Isabel de Aragão, quando institui o culto do Espirito Santo.
Influenciada pela teologia mística do Abade cisterciense Joaquim de Fiori
(1132-1202), que interpretou a historia da salvação em três períodos, o passado
dirigido pelo Deus pai, o presente pelo Filho e o futuro próximo pelo Espirito
Santo. Este ultima, seria um tempo diferente de todos, pois o amor e a
igualdade reinariam entre todos os membros.
Duzentos
anos depois todos os portugueses tinham aderido a esta teologia do império do
Espirito Santo, e no dia 25 de Maio dia de pentecoste, foi coroado o primeiro
imperador do Espirito Santo abordo de um navio viajando para a índia em 1561.
No entanto o esperado dessa era de tudo de bom em absoluto não aconteceu, pelo
menos de forma literal, porem no imaginário cristão português ainda se
imaginava. Tão surpreendente quanto a teologia mística de Joaquim de Fiori, foi
a interpretação do padre Antônio Vieira do livro de Isaias 49.1, 66.19, onde o
referido padre entende ser uma referência ao brasil, já que sua geografia
corresponde ao texto bíblico (Is 18.1,). Não deu outra, tudo isso contribuiu
para uma forte peneumatologia brasileira, onde o Espirito Santo que age no
universo, nas comunidades e nas pessoas, assumiria o símbolo dos ideais de liberdade e
fraternidade e de identidade de fé do povo brasileiro.
O
Brasil passa a ser o quinto império das profecias de Daniel; e dirigido pelo
Espirito, que é o condutor do geral e do singular, chamados a redenção em
Cristo. E essa espiritualidade agora é vivida nas celebrações de fortes
expressões comunitárias no Brasil católico. Em seu estandarte tem a imagem da
bomba branca, e a coroa; como voz de presença. Tudo isso nos ensina uma fé
vivida em comunidade, livre e dinâmica.
A liberdade é cósmica
Essa
liberdade universal do Espirito, ou essa espiritualidade vivida no brasil foi
criticada pela chegada dos missionários reformadores protestantes; eles
definiram a salvação como fenômeno individual. Nascendo uma segunda coloração
mística, cheia de consciência porem vazia de emoção. Apesar de termos aprendido
que o Espirito esta em nós de forma dinâmica e atuante, essa atuação, será que,
significa experiência religiosa? Não há vida humana sem experiência. Por que
então negar a experiência religiosa no Espírito? Por que os que os que chegavam
de fora viam essa experiência feia e suja? Dai gera-se uma necessidade reflexiva
hermenêutica dentro da pneumatologia brasileira sobre a afirmação da
justificação pela graça, por meio da fé. De uma fé pratica, vivida em
comunidade e não apenas declarada como credo. Tornando-se um com o Espirito na
materialidade, da pessoalidade do Espírito, e isso é o que chamamos de
espiritualidade; uma vida no espirito. Esta espiritualidade da vida opõe se a
tudo; que é contra a vida. Vemos nisso uma dialética entre pessoa e comunidade,
tornando significante o mundo que o rodeia. Essa comunicação é Espirito. O
Espirito da unidade e da diversidade que ele próprio cria e administra em cada
um de nós.
A
pneumatologia vivida a partir da multiculturalidade brasileira apresenta Deus
não só como pessoa mas também como aquele espaço e tempo de liberdade em que o
ser humano pode se desenvolver.
A liberdade é
brasileira
É
esse caminhar desde o velho Israel, passando pela igreja do passado chegando ao
Brasil com todas as matizes católica, protestante, carismático e pentecostal;
uma fé vivida por esses grupos que vai além de suas paredes, que leva a
comunhão com as pessoas e a comunidade. Esse é o chão da liberdade no Espírito.
É esse o brotar do Espírito no chão das culturalidade brasileira.
“Espírito e
comunidade de fé”
Possível rosto de uma espiritualidade à moda
brasileira
Introdução
Nesse
artigo vamos buscar descobrir um rosto da espiritualidade brasileira, usando
como base o conhecimento do professor Jorge Pinheiro dos santos em seu
trabalho; “Elementos para uma pneumatologia brasileira”. Dentro dessa análise a
primeira proposta é descobrir a fundação da Historia e da cultura brasileira já
como originada no espírito; depois então perceber que essa fundação hoje faz
parte da própria maneira de ser do brasileiro; e por fim, que as diferenças são
vistas como secundarias já que o Espirito é o mesmo.
O
Brasil tem em suas terras; o germe da vida no Espírito, o sonho contido dentro
de cada crente, de um dia darmos as mãos, independentes de cor, raça e partido
religiosos; celebrando a festa do divino Espirito Santo, símbolo da paz,
justiça e amor.
Surpreendentemente,
as bases do Brasil estão fundadas, ou foram criadas, em um principio divino, de
um mundo cujo Senhor é a terceira pessoa da trindade. O Espírito Santo, que em
seu mover dinâmico se interpenetra no cosmo, na sociedade e no individuo;
formando um corpo, uma unidade de fé e amor.
Uma cultura fundada na
experiência do espírito
Essa
ação é característica da pessoalidade da terceira pessoa da tri/unidade. Seu
carisma é visto logo em todas as escrituras.
Em todo o Antigo testamento, o Espírito (a
Ruah, palavra feminina) e a palavra de Deus não cessam de agir conjuntamente.
Também no Novo Testamento, a palavra de Deus feita carne pela operação do
Espírito nada faz sem o próprio Espírito. A personalidade do Espírito Santo se
trona compreensível a partir das relações dele com o pai e o Filho, uma vez que
ser pessoa é sempre ser-em-relação...O Espírito Santo, à luz dos conceitos
vétero e neotestamentarios, está associado às ideias de vento, fôlego, sopro,
etc. Nesse sentido, a tradição o interpreta como o vento que impulsiona as comunidades
a assumirem os princípios do reino de Deus, em um processo de encarnação do
Evangelho na historia. (RIBEIRO,p 36)
Esse maravilhoso Espírito chegou ao Brasil
trazendo o Reino Crístico na experiência comunitária, sendo derramado sobre
toda carne. Chegou, não apenas subjetivamente, como mais uma visão politica,
Não. Ele veio atingindo a existência em absoluto, integral, tanto individuais
como institucionais, abarcando o homem em toda sua estrutura, arrancando-lhe da
escravidão de sistemas alienatórios e lhe empurrando a uma festa de
pentecostes; enchendo toda a casa; ou seu habitat cultural com o fogo que
queima as diferenças. E comunicando integralidade nas diferenças e
possibilitando solidariedade e justiça. Uma comunidade de fé onde o outro é visto
como ser que faz parte do todo, onde o todo só tem sentido com suas partes
percebidas. Uma nova era para o mundo, com a liberdade de sermos aquilo que
Deus quer que sejamos.
Tal
compreensão apresentou ás brasilidades a fé como produto comunitário, quando,
todos juntos, recebemos o sopro do Espírito, que fala as verdades da vida que
devemos compreender. Ou seja, o Espírito dissemina a vontade do Deus tri/uno
entre as pessoas, dá aos fiés poder e autoridade para o serviço no cotidiano do
reino de Deus, prepara a ação proclamatória do verbo e nos coloca sob missão
livre e dinâmica, em obediência criativa ao verbo de Deus. Esse é o
direcionamento da mais antiga teologia popular do Espirito no Brasil.
(PINHEIRO, p.90)
Todo esse paraíso utópico vivido
arquetipicamente no coração do crente, manifestando-se diariamente no seu
cotidiano, tomando forma pela proclamação do verbo. Um mito fazendo-se
realidade, em meio a desigualdades, injustiças sociais luta de raças pobrezas,
mesmo assim o Brasil revela-se como o “quinto império” na sua expressão de fé,
que apesar de alguns estarem submissos a um regime, que tenta o silenciar; na
primeira tomada de folego, ele grita lá do seu mais profundo ser, expondo sua
alegria de ser e fazer parte de uma comunidade onde o Espírito é seu fundador.
Cara do Brasil
religioso
Isso
é a cara do Brasil religioso, místico, a
espiritualidade brasileira que não pode ser apagada, antes pelo contrario, ela
toma todos os outros pontos de vista e agrega como mais um ponto de vista do
mesmo objeto. Uma multiculturalidade brasileira onde os carismáticos,
pentecostais e católicos encontram espaço na experiência pneumatologica. O Brasil
como uma comunidade de fé pode ser bem descrita pela visão metodista como
“comunhão daqueles que buscam (Deus)”. (RENDERNS,p.50). “a comunidade sempre
foi heterogênica desde os primórdios, no entanto o espírito por meio de seus
apóstolos convida sempre a comunidade a superar os partidarismo e sensações de
superioridade transcendendo aspectos culturais, étnicos, de gênero e de classe
social, sem nega-los” (RENDERNS,p.50).
“Na
experiência com o Espírito Deus não é sentido somente como pessoa da trindade,
mas também como aquele espaço de liberdade em que o ser humano pode se
desenvolver”. (PINHEIRO, p.93).
Assim,
é o brasil do espírito, onde as comunidades de fé são flores; de cor e cheiros
diferentes; porem plantadas pelo mesmo floricultor, e num mesmo jardim, que
juntos exaurem um perfume de liberdade.
Referencias bibliográficas
SANTOS,
Jorge Pinheiro dos. "Elementos para uma pneumatologia brasileira –
Uma leitura pós-moltmanniana". In: Caminhando (online),
vol. 13, n. 2. (2008).
Obras consultadas
RIBEIRO,
Cláudio de Oliveira. Teologia sistemática: peneumatologia e Eclesiologia II-
critérios para discernimento da ação do Espírito Santo no mundo. In: SANTOS,
Suely Xavier dos; SANTOS, João Batista Ribeiro; Desenvolvimento Teológico 2º Semestre de 2016 – Edição atualizada.
RENDERS,
Helmut. Teologia sistemática: peneumatologia e Eclesiologia III- Eclesiologia:
chaves de leitura. In: SANTOS, Suely Xavier dos; SANTOS, João Batista Ribeiro; Desenvolvimento Teológico 2º Semestre
de 2016 – Edição atualizada.