sexta-feira, 28 de outubro de 2016


Resumo do texto “Elementos para uma pneumatologia brasileira”.
O quinto império
A partir de Moltmann, o professor Jorge pinheiro dos santos analisa a espiritualidade brasileira em sua multiculturalidade. Buscando a origem dessa cultura colorida, descobrisse sua gênese ainda em Portugal por volta de 1323, pela rainha Isabel de Aragão, quando institui o culto do Espirito Santo. Influenciada pela teologia mística do Abade cisterciense Joaquim de Fiori (1132-1202), que interpretou a historia da salvação em três períodos, o passado dirigido pelo Deus pai, o presente pelo Filho e o futuro próximo pelo Espirito Santo. Este ultima, seria um tempo diferente de todos, pois o amor e a igualdade reinariam entre todos os membros.
Duzentos anos depois todos os portugueses tinham aderido a esta teologia do império do Espirito Santo, e no dia 25 de Maio dia de pentecoste, foi coroado o primeiro imperador do Espirito Santo abordo de um navio viajando para a índia em 1561. No entanto o esperado dessa era de tudo de bom em absoluto não aconteceu, pelo menos de forma literal, porem no imaginário cristão português ainda se imaginava. Tão surpreendente quanto a teologia mística de Joaquim de Fiori, foi a interpretação do padre Antônio Vieira do livro de Isaias 49.1, 66.19, onde o referido padre entende ser uma referência ao brasil, já que sua geografia corresponde ao texto bíblico (Is 18.1,). Não deu outra, tudo isso contribuiu para uma forte peneumatologia brasileira, onde o Espirito Santo que age no universo, nas comunidades e nas pessoas, assumiria  o símbolo dos ideais de liberdade e fraternidade e de identidade de fé do povo brasileiro.
O Brasil passa a ser o quinto império das profecias de Daniel; e dirigido pelo Espirito, que é o condutor do geral e do singular, chamados a redenção em Cristo. E essa espiritualidade agora é vivida nas celebrações de fortes expressões comunitárias no Brasil católico. Em seu estandarte tem a imagem da bomba branca, e a coroa; como voz de presença. Tudo isso nos ensina uma fé vivida em comunidade, livre e dinâmica.
A liberdade é cósmica
Essa liberdade universal do Espirito, ou essa espiritualidade vivida no brasil foi criticada pela chegada dos missionários reformadores protestantes; eles definiram a salvação como fenômeno individual. Nascendo uma segunda coloração mística, cheia de consciência porem vazia de emoção. Apesar de termos aprendido que o Espirito esta em nós de forma dinâmica e atuante, essa atuação, será que, significa experiência religiosa? Não há vida humana sem experiência. Por que então negar a experiência religiosa no Espírito? Por que os que os que chegavam de fora viam essa experiência feia e suja? Dai gera-se uma necessidade reflexiva hermenêutica dentro da pneumatologia brasileira sobre a afirmação da justificação pela graça, por meio da fé. De uma fé pratica, vivida em comunidade e não apenas declarada como credo. Tornando-se um com o Espirito na materialidade, da pessoalidade do Espírito, e isso é o que chamamos de espiritualidade; uma vida no espirito. Esta espiritualidade da vida opõe se a tudo; que é contra a vida. Vemos nisso uma dialética entre pessoa e comunidade, tornando significante o mundo que o rodeia. Essa comunicação é Espirito. O Espirito da unidade e da diversidade que ele próprio cria e administra em cada um de nós.
A pneumatologia vivida a partir da multiculturalidade brasileira apresenta Deus não só como pessoa mas também como aquele espaço e tempo de liberdade em que o ser humano pode se desenvolver.
A liberdade é brasileira
É esse caminhar desde o velho Israel, passando pela igreja do passado chegando ao Brasil com todas as matizes católica, protestante, carismático e pentecostal; uma fé vivida por esses grupos que vai além de suas paredes, que leva a comunhão com as pessoas e a comunidade. Esse é o chão da liberdade no Espírito. É esse o brotar do Espírito no chão das culturalidade brasileira.

“Espírito e comunidade de fé”
 Possível rosto de uma espiritualidade à moda brasileira
Introdução
Nesse artigo vamos buscar descobrir um rosto da espiritualidade brasileira, usando como base o conhecimento do professor Jorge Pinheiro dos santos em seu trabalho; “Elementos para uma pneumatologia brasileira”. Dentro dessa análise a primeira proposta é descobrir a fundação da Historia e da cultura brasileira já como originada no espírito; depois então perceber que essa fundação hoje faz parte da própria maneira de ser do brasileiro; e por fim, que as diferenças são vistas como secundarias já que o Espirito é o mesmo.
O Brasil tem em suas terras; o germe da vida no Espírito, o sonho contido dentro de cada crente, de um dia darmos as mãos, independentes de cor, raça e partido religiosos; celebrando a festa do divino Espirito Santo, símbolo da paz, justiça e amor.
Surpreendentemente, as bases do Brasil estão fundadas, ou foram criadas, em um principio divino, de um mundo cujo Senhor é a terceira pessoa da trindade. O Espírito Santo, que em seu mover dinâmico se interpenetra no cosmo, na sociedade e no individuo; formando um corpo, uma unidade de fé e amor.

Uma cultura fundada na experiência do espírito
Essa ação é característica da pessoalidade da terceira pessoa da tri/unidade. Seu carisma é visto logo em todas as escrituras.
 Em todo o Antigo testamento, o Espírito (a Ruah, palavra feminina) e a palavra de Deus não cessam de agir conjuntamente. Também no Novo Testamento, a palavra de Deus feita carne pela operação do Espírito nada faz sem o próprio Espírito. A personalidade do Espírito Santo se trona compreensível a partir das relações dele com o pai e o Filho, uma vez que ser pessoa é sempre ser-em-relação...O Espírito Santo, à luz dos conceitos vétero e neotestamentarios, está associado às ideias de vento, fôlego, sopro, etc. Nesse sentido, a tradição o interpreta como o vento que impulsiona as comunidades a assumirem os princípios do reino de Deus, em um processo de encarnação do Evangelho na historia.  (RIBEIRO,p 36)

 Esse maravilhoso Espírito chegou ao Brasil trazendo o Reino Crístico na experiência comunitária, sendo derramado sobre toda carne. Chegou, não apenas subjetivamente, como mais uma visão politica, Não. Ele veio atingindo a existência em absoluto, integral, tanto individuais como institucionais, abarcando o homem em toda sua estrutura, arrancando-lhe da escravidão de sistemas alienatórios e lhe empurrando a uma festa de pentecostes; enchendo toda a casa; ou seu habitat cultural com o fogo que queima as diferenças. E comunicando integralidade nas diferenças e possibilitando solidariedade e justiça. Uma comunidade de fé onde o outro é visto como ser que faz parte do todo, onde o todo só tem sentido com suas partes percebidas. Uma nova era para o mundo, com a liberdade de sermos aquilo que Deus quer que sejamos.

Tal compreensão apresentou ás brasilidades a fé como produto comunitário, quando, todos juntos, recebemos o sopro do Espírito, que fala as verdades da vida que devemos compreender. Ou seja, o Espírito dissemina a vontade do Deus tri/uno entre as pessoas, dá aos fiés poder e autoridade para o serviço no cotidiano do reino de Deus, prepara a ação proclamatória do verbo e nos coloca sob missão livre e dinâmica, em obediência criativa ao verbo de Deus. Esse é o direcionamento da mais antiga teologia popular do Espirito no Brasil. (PINHEIRO, p.90)

 Todo esse paraíso utópico vivido arquetipicamente no coração do crente, manifestando-se diariamente no seu cotidiano, tomando forma pela proclamação do verbo. Um mito fazendo-se realidade, em meio a desigualdades, injustiças sociais luta de raças pobrezas, mesmo assim o Brasil revela-se como o “quinto império” na sua expressão de fé, que apesar de alguns estarem submissos a um regime, que tenta o silenciar; na primeira tomada de folego, ele grita lá do seu mais profundo ser, expondo sua alegria de ser e fazer parte de uma comunidade onde o Espírito é seu fundador.
Cara do Brasil religioso
Isso é a cara do Brasil religioso, místico,  a espiritualidade brasileira que não pode ser apagada, antes pelo contrario, ela toma todos os outros pontos de vista e agrega como mais um ponto de vista do mesmo objeto. Uma multiculturalidade brasileira onde os carismáticos, pentecostais e católicos encontram espaço na experiência pneumatologica. O Brasil como uma comunidade de fé pode ser bem descrita pela visão metodista como “comunhão daqueles que buscam (Deus)”. (RENDERNS,p.50). “a comunidade sempre foi heterogênica desde os primórdios, no entanto o espírito por meio de seus apóstolos convida sempre a comunidade a superar os partidarismo e sensações de superioridade transcendendo aspectos culturais, étnicos, de gênero e de classe social, sem nega-los” (RENDERNS,p.50).
“Na experiência com o Espírito Deus não é sentido somente como pessoa da trindade, mas também como aquele espaço de liberdade em que o ser humano pode se desenvolver”. (PINHEIRO, p.93).
Assim, é o brasil do espírito, onde as comunidades de fé são flores; de cor e cheiros diferentes; porem plantadas pelo mesmo floricultor, e num mesmo jardim, que juntos exaurem um perfume de liberdade.

Referencias bibliográficas
SANTOS, Jorge Pinheiro dos. "Elementos para uma pneumatologia brasileira – Uma leitura pós-moltmanniana". In: Caminhando (online), vol. 13, n. 2. (2008).

Obras consultadas
RIBEIRO, Cláudio de Oliveira. Teologia sistemática: peneumatologia e Eclesiologia II- critérios para discernimento da ação do Espírito Santo no mundo. In: SANTOS, Suely Xavier dos; SANTOS, João Batista Ribeiro; Desenvolvimento Teológico 2º Semestre de 2016 – Edição atualizada.

RENDERS, Helmut. Teologia sistemática: peneumatologia e Eclesiologia III- Eclesiologia: chaves de leitura. In: SANTOS, Suely Xavier dos; SANTOS, João Batista Ribeiro; Desenvolvimento Teológico 2º Semestre de 2016 – Edição atualizada.