quinta-feira, 31 de agosto de 2017

“Uma leitura bíblica a partir da experiência da mulher negra, numa sociedade marcada pelo classismo, racismo e sexicismo.

I . Linhas estruturantes do pensamento da prf. Lídia Maria de Lima.
1.a Hermenêutica: “É um exercício de entrelaçar os fios da Palavra na vida e os fios da vida na Palavra”
Muito do que as pessoas creem está ligado ao contexto que estão inseridos. Daí a importância da hermenêutica negra ganhando sentido e dando sentido ao mesmo tempo.
1.b “Hermenêutica Feminista negra é: uma leitura Bíblica a partir da experiência da mulher negra, numa sociedade marcada pelo classismo, racismo e sexicismo.
E por que esse tipo de leitura?
Porque o Deus da Bíblia não se alia aos opressores e a sua história é toda pautada num projeto de salvação, que se manifesta entre as pessoas marginalizadas e que, necessariamente, precisa da força das mulheres.
I.c “A Hermenêutica negra procura não somente proteger cada pessoa de abuso determinado por preconceito racial, mas também conhecer o bem que essa pessoa ou grupo leva para a mesa numa conversação sobre fé, cultura, etnia e classe” (NASH, 2004).
Então, qual é o compromisso desse tipo de hermenêutica? Ø Deus é Deus de todos os povos.
Apesar da Bíblia ser a guia de conduta ética, e de pregar a igualdade entre sexo, etnia e cor; uma simples olhada na mídia, nos periódicos e revistas fica notório os sinais de exclusão da mulher negra.
II. evidencias de sinais de exclusão da mulher negra na mídia contemporânea.
“Nós, negros sempre teremos situações de racismo para enfrentar. Isso não acaba com a fama, com o dinheiro, com o poder, nem com nada”. (Glória Maria - A cor do Sucesso).
1.a A cor e o sexo no jornalismo de revistas brasileiro
Esse tema faz parte de um artigo que investigou as duas maiores revistas nacional, Claudia e Marie Claire, entre os meses de outubro de 2007 e março de 2008. Este estudo buscou apontar a imagem da mulher negra em suas páginas e chegou à seguinte conclusão:
As duas revistas totalizaram 230 matérias com referência à mulher branca, 104 na Marie Claire e 126 na Claudia. Portanto, no universo de 244 matérias jornalísticas, verifica-se que apenas 5,73% notas ou reportagens trazem temas do universo da mulher negra.[1]
Esta pesquisa vem confirmar o racismo da própria mídia hipócrita que faz um discurso em notas periféricas para disfarçar seu classicismo. E a massa esmagadora de mulheres branca revela sua preferência em idealizar a perfeição adotando um padrão. Esse mesmo artigo traz a moldura de doze capas, seis de cada revista pesquisadas e nenhuma delas foram encontradas mulheres negras brasileiras.
Um outro artigo. Trabalha a discriminação da mulher negra no mercado de trabalho e as políticas públicas. E chega a conclusão que racismo e sexismo tem sido os principais obstáculos para que a mulher negra possa ter a sua cidadania assegurada. A pobreza no brasil tem cor e sexo: é negra.
Em relação às mulheres negras, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, a situação no mercado de trabalho é ainda pior. Em um comparativo entre mulheres brancas e negras, estas são maioria entre as trabalhadoras informais - mais da metade das mulheres negras (54,1%) e pardas (60%) trabalham sem carteira assinada – ou seja, sem direito a diversos benefícios como seguro desemprego, licença maternidade, entre outros.26 A situação da mulher negra pode ser considerara ainda pior, se for considerado que elas fazem parte, geralmente, de "um tipo de família mais vulnerável", segundo o mesmo documento27, visto que são mulheres sem cônjuge e com filhos pequenos. Além do mais, a situação menos favorável das mulheres negras se dá, também, em razão dos baixos índices de escolaridade e de renda ocorrida com as mesmas.[2]
Longe do que o sistema tenta impor, a tal da democracia racial, tentando forjar uma crença de que os negros usufruem de uma igualdade na sociedade brasileira, vemos que tudo isso não passa de uma grande mentira.



[1] BARBOSA; DA SILVA. Mulher invisível: a imagem da mulher negra no jornal de revista feminino brasileiro. http://www.cambiassu.ufma.br/cambi_2009/silvano.pdf. Acesso em: 31/08/2017.
[2]  TRIPPIA; BARACAT. A DISCRIMINAÇÃO DA MULHER NEGRA NO MERCADO DE TRABALHO E AS POLÍTICAS PÚBLICAS.
 disponível em: http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=9684bb9ec9d68563. Acesso em: 31/08/2017.