“Uma
leitura bíblica a partir da experiência da mulher negra, numa sociedade marcada
pelo classismo, racismo e sexicismo.”
I . Linhas
estruturantes do pensamento da prf. Lídia Maria de Lima.
1.a Hermenêutica: “É um exercício de entrelaçar os fios da
Palavra na vida e os fios da vida na Palavra”
Muito do que as pessoas creem está ligado ao contexto
que estão inseridos. Daí a importância da hermenêutica negra ganhando sentido e
dando sentido ao mesmo tempo.
1.b “Hermenêutica Feminista negra é: uma leitura Bíblica a
partir da experiência da mulher negra, numa sociedade marcada pelo classismo,
racismo e sexicismo.
E por que esse tipo de leitura?
Porque o Deus da Bíblia não se alia aos
opressores e a sua história é toda pautada num projeto de salvação, que se
manifesta entre as pessoas marginalizadas e que, necessariamente, precisa da
força das mulheres.
I.c “A Hermenêutica negra procura não somente proteger cada pessoa de abuso
determinado por preconceito racial, mas também conhecer o bem que essa pessoa ou grupo leva para a mesa numa
conversação sobre fé, cultura, etnia e classe” (NASH, 2004).
Então, qual é o compromisso desse tipo de
hermenêutica? Ø
Deus é Deus de todos os povos.
Apesar da Bíblia ser a guia de conduta ética, e de pregar a
igualdade entre sexo, etnia e cor; uma simples olhada na mídia, nos periódicos
e revistas fica notório os sinais de exclusão da mulher negra.
II. evidencias de
sinais de exclusão da mulher negra na mídia contemporânea.
“Nós, negros sempre teremos situações de racismo para
enfrentar. Isso não acaba com a fama, com o dinheiro, com o poder, nem com nada”.
(Glória Maria - A cor do Sucesso).
1.a A cor e o sexo no jornalismo de revistas brasileiro
Esse tema faz parte de um artigo que investigou as duas
maiores revistas nacional, Claudia e Marie Claire, entre os meses de outubro de
2007 e março de 2008. Este estudo buscou apontar a imagem da mulher negra em
suas páginas e chegou à seguinte conclusão:
As duas
revistas totalizaram 230 matérias com referência à mulher branca, 104 na Marie
Claire e 126 na Claudia. Portanto, no universo de 244 matérias jornalísticas,
verifica-se que apenas 5,73% notas ou reportagens trazem temas do universo da
mulher negra.[1]
Esta pesquisa
vem confirmar o racismo da própria mídia hipócrita que faz um discurso em notas
periféricas para disfarçar seu classicismo. E a massa esmagadora de mulheres
branca revela sua preferência em idealizar a perfeição adotando um padrão. Esse
mesmo artigo traz a moldura de doze capas, seis de cada revista pesquisadas e nenhuma
delas foram encontradas mulheres negras brasileiras.
Um outro artigo. Trabalha a discriminação da mulher
negra no mercado de trabalho e as políticas públicas. E chega a conclusão que
racismo e sexismo tem sido os principais obstáculos para que a mulher negra
possa ter a sua cidadania assegurada. A pobreza no brasil tem cor e sexo: é
negra.
Em relação às
mulheres negras, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, a situação no mercado de
trabalho é ainda pior. Em um comparativo entre mulheres brancas e negras, estas
são maioria entre as trabalhadoras informais - mais da metade das mulheres
negras (54,1%) e pardas (60%) trabalham sem carteira assinada – ou seja, sem
direito a diversos benefícios como seguro desemprego, licença maternidade,
entre outros.26 A situação da mulher negra pode ser considerara ainda pior, se
for considerado que elas fazem parte, geralmente, de "um tipo de família
mais vulnerável", segundo o mesmo documento27, visto que são mulheres sem
cônjuge e com filhos pequenos. Além do mais, a situação menos favorável das
mulheres negras se dá, também, em razão dos baixos índices de escolaridade e de
renda ocorrida com as mesmas.[2]
Longe do que o sistema tenta
impor, a tal da democracia racial, tentando forjar uma crença de que os negros
usufruem de uma igualdade na sociedade brasileira, vemos que tudo isso não
passa de uma grande mentira.
[1] BARBOSA; DA SILVA. Mulher invisível: a imagem da mulher negra
no jornal de revista feminino brasileiro. http://www.cambiassu.ufma.br/cambi_2009/silvano.pdf. Acesso em: 31/08/2017.
[2] TRIPPIA; BARACAT. A DISCRIMINAÇÃO DA MULHER NEGRA NO MERCADO DE TRABALHO E AS POLÍTICAS
PÚBLICAS.
disponível em: http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=9684bb9ec9d68563.
Acesso em: 31/08/2017.